Pobre cadeira. Deprimida de dar dó.
Fora pisoteada por almas sem coração. A usavam como apoio para subir e aplicar grafiato nas paredes. Ninguém dava nada por ela. Todos a olhavam com desprezo, uns até desviavam os olhos e reclamavam "joga essa cadeira fora".
E, como se não bastasse seu estado lastimável, a deixaram na calçada, em frente à casa, onde ficou na chuva por alguns dias.
Passei várias vezes e a cobicei. Ela, toda envergonhada, nem me deu bola - não era digna de ser admirada.
O que a sustentava em pé eram as lembranças dos tempos áureos, da expressão de satisfação de seus novos donos, quando fora comprada, por volta de 1950.
Enfim, meu encontro com esta cadeira CIMO 1001, original, foi quando tive coragem de "bater palmas" (para ela), em frente ao portão da tal casa, e ter criado coragem de perguntar se queriam vendê-la. O senhor que me atendeu, ficou um bom tempo olhando para a cadeira. Pensei "duvido que ele ainda queira esta cadeira depois de tê-la feito sofrer tanto". Me perguntou sério, com rugas na testa, o que eu queria fazer com "aquilo". Respondi que era para fazer par com outra (eu). Argumentou, dizendo que ainda tinha paredes para pintar e que esta ainda lhe seria útil. Pedi uns minutos, corri em casa, peguei um cadeira que tinha para restauro - mas que nem de longe era tão bela - voltei correndo na tal casa e bati palmas novamente para a 1001. O senhor voltou, com cara de tédio e ofereci minha cadeira, super firme e muito mais limpa, em troca da "feiosa" 1001.
Voltei feliz e cantando. Conversei com a cadeira, expliquei as coisas da vida. Que tudo mudou. Passaram-se mais de 60 anos e agora as pessoas preferem plástico e aço. Ela me ouviu, quietinha, engessada de grafiato. Pedi calma, pois novos dias chegariam.
Ela me esperou, assim como a esperei. Agora é meu par ímpar!
Fora pisoteada por almas sem coração. A usavam como apoio para subir e aplicar grafiato nas paredes. Ninguém dava nada por ela. Todos a olhavam com desprezo, uns até desviavam os olhos e reclamavam "joga essa cadeira fora".
E, como se não bastasse seu estado lastimável, a deixaram na calçada, em frente à casa, onde ficou na chuva por alguns dias.
Passei várias vezes e a cobicei. Ela, toda envergonhada, nem me deu bola - não era digna de ser admirada.
O que a sustentava em pé eram as lembranças dos tempos áureos, da expressão de satisfação de seus novos donos, quando fora comprada, por volta de 1950.
Enfim, meu encontro com esta cadeira CIMO 1001, original, foi quando tive coragem de "bater palmas" (para ela), em frente ao portão da tal casa, e ter criado coragem de perguntar se queriam vendê-la. O senhor que me atendeu, ficou um bom tempo olhando para a cadeira. Pensei "duvido que ele ainda queira esta cadeira depois de tê-la feito sofrer tanto". Me perguntou sério, com rugas na testa, o que eu queria fazer com "aquilo". Respondi que era para fazer par com outra (eu). Argumentou, dizendo que ainda tinha paredes para pintar e que esta ainda lhe seria útil. Pedi uns minutos, corri em casa, peguei um cadeira que tinha para restauro - mas que nem de longe era tão bela - voltei correndo na tal casa e bati palmas novamente para a 1001. O senhor voltou, com cara de tédio e ofereci minha cadeira, super firme e muito mais limpa, em troca da "feiosa" 1001.
Voltei feliz e cantando. Conversei com a cadeira, expliquei as coisas da vida. Que tudo mudou. Passaram-se mais de 60 anos e agora as pessoas preferem plástico e aço. Ela me ouviu, quietinha, engessada de grafiato. Pedi calma, pois novos dias chegariam.
Ela me esperou, assim como a esperei. Agora é meu par ímpar!
Chegou sem vida.
Fora toda desmontada - parafusos teimosos e enferrujados brigavam em permanecer.
Agora, essa beleza ganhou "um" pé de meia vermelha. A madeira estava tão perfeita e linda, que não tive coragem de cobrir mais nem um pedacinho com tinta.
Detalhe da "meia".
O registro da originalidade da peça. Restaure tudo, mas nunca toque no selo de fabricação de um móvel antigo.

A cadeira desmontada e a vista inferior, montada, mais firme que nunca.
Detalhe da montagem.
Antes e depois.
Antes e depois.
E agora, sabe o que essa cadeira CIMO 1001, maravilhosa, faz para os que a usavam como apoio para pintar as paredes?
Dá as costas!
Este foi mais um trabalho gratificante. Contei com o apoio do Hiroshi, que agora está passando uma temporada no Japão, mas espero que tudo dê certo e que ele esteja de volta em breve. Pois, acredito, o Brasil já é sua segunda casa.
Para saber mais da história da Indústria de Móveis Cimo, acesse
...e pesquise imagens. São móveis de qualidade única.
Veja também alguns móveis CIMO, restaurados e em andamento aqui no blog:
Abraços e até a próximo restauro!
Sandra
Oi Sandra, Um tesouro escondido que agora mostra seu brilho. Ficou linda, realmente ímpar! Ah, seu texto ficou joia!! Amei. Beijos
ResponderExcluirPerfeito ....meu parabéns !!!!
ResponderExcluirParabens vc fez milagre!!!!!!! ficou linda!
ResponderExcluirOi Sandra ! Que bom que vc voltou ! Estava sentindo falta de ver as suas transformações magníficas como essa dessa cadeira . Ficou um arraso ! Perfeita ! Bjs .
ResponderExcluirSandra querida, que lindo trabalho. meus parabéns, você é uma pessoa muito especial, não só pelo trabalho que realiza, mas por sua sensibilidade. Querida, é sempre um prazer está por aqui. Bjus. Rose.
ResponderExcluirFiquei emocionada agora que li a história ! Era uma gata borralheira que virou Cinderela porque a fada madrinha Sandra a encontrou ... Depois de tanto sofrer o descuido e o desprezo das pessoas, eis que ela se torna uma linda princesa , que , de agora em diante, não irá mais sofrer, será apenas admirada .
ResponderExcluirComo podem desprezar uma peça com tanta história ? Eu vejo tanta madeira jogada nas caçambas e fico pensando em quantas árvores foram derrubadas pra fazer tudo isso ... Mas, com certeza não ficamos impunes diante desse desrespeito , pois a natureza está dando a resposta com mudanças climáticas severas, calor acima da média, falta de água ...
Mas assim é a vida ! Parabéns amiga ! Eu só tinha visto as fotos, mas agora que eu li , eu posso dizer que vc me emocionou com o seu lindo texto . E como professora de Português que sou , te dou um 10 por tanta sensibilidade e destreza no uso das palavras . Bjs !
Olá Sandra, você enxerga com a alma a beleza de uma peça. Sensacional a história desta cadeira, e a forma que vc encontrou para convencer o proprietário a cedê-la para vc. Ficou linda com a madeira recuperada. As partes curvas que unem as pernas são divinas e o pé de meia vermelha deu-lhe um toque de modernidade, trazendo-a definitivamente para o século XXI. Parabéns!
ResponderExcluirche bello pittura ;)
ResponderExcluirSandra querida, que lindaaaaaaaaaaaaaaaaaaa que ficou a cadeira! Menina, sou sua fã eterna! E quero muito muito muito te conhecer!!!
ResponderExcluirRealmente a madeira é linda e não merecia ser escondida. O charme do pé vermelho ganhou meu coração!
Parabéns!!!
Amei sua visita no blog! Este ano foi muito corrido, né? Mas nunca saímos de perto daqueles que admiramos e que nos fazem bem!
Beijossssssss
Vero
Ual Sandra, a cadeira ficou lindissíma!
ResponderExcluirPoucas pessoas vêem a beleza em uma peça de madeira com tanta história...
Maravilhoso o resultado final, parabéns!
Abraço, Dam
www.espacocriativoella.blogspot.com.br
ResponderExcluirBelíssimo trabalho. a cadeira ficou melhor do que quando saiu da fábrica . Parabéns.
A cadeira ficou linda Sandra, Parabéns pelo trabalho!
ResponderExcluirParabéns vc fez um lindo trabalho! Adorei bjs
ResponderExcluirOlá Sandra, foi uma bela surpresa encontrar seu blog! Que trabalho lindo! Acabei de adquirir 4 cadeiras desse modelo, acho que 3 são originais cimo. Estou radiante, mas agora com uma baita tarefa, deixá-las tão bonitas quanto essa que você restaurou! Vai ser minha primeira tentativa, espero ter paciência e sorte na empreitada! Adorei o texto, adorei o resultado e também seu carinho pelos móveis Cimo!
ResponderExcluirAo passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens
ResponderExcluiré um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
Tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita.
Ficarei radiante se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, saiba que sempre retribuo seguido
também o seu blog. Minhas saudações.
António Batalha.
http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/
Lindissíma! adorei seu trabalho, o que passou na cadeira após lixar? tenho uma 1001 com braços que esta bem judiada e queria dar um trato nela
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