Bem vindos!

Resgatar a história de um móvel é manter nossas raízes. Renovar uma peça, da qual você está cansada, é dar uma nova chance ao que também tem história. Por mais que você pinte e renove, ela sempre terá seu desenho original, indicando uma época. Isso é respeito à nossa cultura e respeito ao meio ambiente.

Sandra Guadagnin

Presenteie com criatividade.

domingo, 29 de junho de 2014

De escrivaninha à penteadeira

Móvel especial para a família de meu marido. Fora de seu avô. Há cerca de 100 anos, esse móvel era usado em uma máquina de arroz, no interior do Paraná.


Essa papeleira passeou por algumas casas, em diferentes cidades, sempre nas mãos de familiares. Mas já estava caidinha, sendo desprezada, em massa, por todos.

Uns, impediram a entrada em suas casas:"coisa velha não entra aqui!". Outros, não acreditavam na possibilidade de fazê-la bonita e útil novamente.

Por longas décadas, alguns de seus donos temporários tentaram melhorar seu aspecto. Teve alguém que até cortou bons centímetros da altura dos pés, baixando, assim, o tampo. 

Então, quase 100 anos após a possível data de entrada deste móvel na família, uma prima, dessas bem persistentes e guerreiras, o pegou para si e o guardou por alguns anos, até que lhe veio a inspiração, que você verá mais abaixo. Mas, antes, acompanhe um pouco do trabalho que foi feito.

E o velho móvel veio parar aqui em casa, para restauro, passou por terríveis momentos de emoção. Teve pregos arrancados, detalhes desmontados e toda a tinta removida. 3 camadas cobriam a madeira de Pinheiro. Lembrando que ainda fora pintada de marrom sobre esse preto. A tinta marrom cedeu facilmente aos cacos de vidro. Já, a preta... humpf... dias e dias com removedores e ácidos para poder deixá-la por completo na madeira . 

As guias foram todas trocadas, estavam gastas dos vai-e-vens das gavetinhas.

O tampo com rachaduras imensas e com um grande sinal de queimadura por fundo de lampião.

Observem os tamanhos dos pregos: sim, os marceneiros que fabricaram esse móvel sabiam ser necessário que fosse assim, e deviam comentar entre si, aos risos "esse móvel vai ser restaurado daqui a uns 100 anos.". 

Desmontamos cada pedaço possível, para facilitar a limpeza e remoção da tinta.

Depois de muito sufoco, lixas e removedor, eis que surge a madeira clarinha de Pinheiro. As partes brancas são massa F12, para corrigir os defeitos, pois o móvel irá para pintura.

As guias novinhas, em Cedro e Pinheiro. Aqui, com fundo PU, para receber cor branca.


Após alguns meses de trabalho, o móvel voltou para a Camila, agora com nova função...

Uma linda penteadeira, para a Duda, sua filha, praticar a vaidade. 
Fora surpresa, e a pequena menina amou. Correu enfeitar seu cantinho, com laços de fita, tiaras, balões, maquiagens, agendas, álbuns, e mais mil miudezas que pertencem a seu lúdico mundo. 

Os puxadores não poderiam ser outros além desses, em porcelana branquinha, com filete prata. O vidro 4mm polido apoiado sobre o tampo, servirá para protegê-lo, assim a Duda pode esparramar seus makes sem se preocupar em levar broncas da mãe.

As pequenas gavetas, agora estão recheadas de segredos, misturados à história de 100 anos desta bela peça.


Note o tampo, um pouco curvado. Mas quem, que com mais de 90 anos, não teria cicatrizes muito piores?

Aqui, eis a Duda, em momento de concentração em seu cantinho. Fora flagrada pela mãe, pois, vaidosa como é, jamais se deixaria aparecer sem estar glamourosa. 


Espero que tenham gostado de mais essa transformação. Eu, particularmente, amaria um móvel assim para guardar minhas vaidades, e vocês? Então vasculhem os velhos móveis de família e descubram algum que possa ter outra função e faca diferença em sua história também.


Abraços,

Sandra