Bem vindos!

Resgatar a história de um móvel é manter nossas raízes. Renovar uma peça, da qual você está cansada, é dar uma nova chance ao que também tem história. Por mais que você pinte e renove, ela sempre terá seu desenho original, indicando uma época. Isso é respeito à nossa cultura e respeito ao meio ambiente.

Sandra Guadagnin

Presenteie com criatividade.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Cadeira Cimo 1001

Pobre cadeira. Deprimida de dar dó.


Fora pisoteada por almas sem coração. A usavam como apoio para subir e aplicar grafiato nas paredes. Ninguém dava nada por ela. Todos a olhavam com desprezo, uns até desviavam os olhos e reclamavam "que nojo, joga essa cadeira fora".

E, como se não bastasse seu estado lastimável, a deixaram na calçada, em frente à casa, onde ficou na chuva por alguns dias

Passei várias vezes e a cobicei.  Ela, toda envergonhada, nem me deu bola - não era digna de ser admirada. 

O que a sustentava em pé eram as lembranças dos tempos áureos, da expressão de satisfação de seus novos donos, quando fora comprada, por volta de 1950. 


Enfim, meu encontro com esta cadeira CIMO 1001, original, foi quando tive coragem de "bater palmas" (para ela), em frente ao portão da tal casa, e ter criado coragem de perguntar se queriam vendê-la. O senhor que me atendeu, ficou um bom tempo olhando para a cadeira. Pensei "duvido que ele ainda queira esta cadeira depois de tê-la feito sofrer tanto". Me perguntou sério, com rugas na testa, o que eu queria fazer com "aquilo". Respondi que era para fazer par com outra (eu). Argumentou, dizendo que ainda tinha paredes para pintar e que esta ainda lhe seria útil. Pedi uns minutos, corri em casa, peguei um cadeira que tinha para restauro - mas que nem de longe era tão bela - voltei correndo na tal casa e bati palmas novamente para a 1001. O senhor voltou, com cara de tédio e ofereci minha cadeira, super firme e muito mais limpa, em troca da "feiosa" 1001.


Voltei feliz e cantando. Conversei com a cadeira, expliquei as coisas da vida. Que tudo mudou. Passaram-se mais de 60 anos e agora as pessoas preferem plástico e aço. Ela me ouviu, quietinha, engessada de grafiato. Pedi calma, pois novos dias chegariam. 


Ela me esperou, assim como a esperei. Agora é meu par ímpar!



Chegou sem vida. 


Fora toda desmontada - parafusos teimosos e enferrujados brigavam para permanecer.

Agora, essa beleza ganhou "um" pé de meia vermelha. A madeira estava tão perfeita e linda, que não tive coragem de cobrir mais nem um pedacinho com tinta.

Detalhe da "meia".

Agora de ladinho.

O registro da originalidade da peça. Restaure tudo, mas nunca toque no selo de fabricação de um móvel antigo.

A cadeira desmontada e a vista inferior, montada, mais firme que nunca.

Detalhe da montagem.

 Antes e depois.


Antes e depois.


E agora, sabe o que essa cadeira CIMO 1001, maravilhosa, faz para os que a usavam como apoio para pintar as paredes?

Dá as costas!


Este foi mais um trabalho gratificante. Contei com o apoio do Hiroshi, que agora está passando uma temporada no Japão, mas espero que tudo dê certo e que ele esteja de volta em breve. Pois, acredito, o Brasil já é sua segunda casa.


Para saber mais da história da Indústria de Móveis Cimo, acesse






...e pesquise imagens. São móveis de qualidade única.

Veja também alguns móveis CIMO,  restaurados e em andamento aqui no blog:






Abraços e até a próximo restauro!

Sandra